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Antonio Jorge Rettenmaier

Objetos ou Pessoas?

Qua, 16 de Maio de 2012 13:55

Um dos maiores problemas de relacionamento da humanidade está no reconhecimento do ser humano. Na maioria das vezes, somos objetos, quando não números. Tudo começa hoje, quando nasce uma criança e recebe uma tal de pulseirinha, que tem um número e raramente também um nome. E este quando existe normalmente é da mãe, não dela. E como fazem confusão com as tais das pulseirinhas... Até alguns anos atrás poderiam nascer trinta crianças em um dia que as enfermeiras não se enganavam de mãe. Hoje se nascem três, pode estar feita a confusão. Nada contra as enfermeiras, mas como algumas veem os recém-nascidos. Ainda bem que quando, em algumas creches, são chamadas pelo nome. Senão, serão como mais tarde na escola, o aluno matrícula número tal.

Adultos, recebemos um numero de CPF, identidade, título eleitoral, crachá e registro da empresa, e assim por diante. Se morarmos em condomínio, seremos o senhor ou senhora do 333. E nossos nomes? Poxa! O porteiro vai olhar na relação! Quando somos sepultados, vamos morar no jazigo 3.333.

Isto tudo, nos faz pensar no dilema de Deus, quando criou o homem e a mulher. Esta história da costela até hoje não está bem contada. Ele criou primeiro o homem ou a mulher? Se todos viemos de uma mulher, como teria Ele primeiro criado o homem? Uma coisa intrigante também. Porque colocou os nomes de Adão e Eva? Não seriam Eva e Adão? Nomes tão curtos. Seria talvez por preguiça ou quem sabe desleixo por saber que fariam o estrago que fizeram? Não importa. Mas, Adão em primeiro lugar não seria algum machismo? Se ele por acaso soubesse que acabaríamos virando números, não teria colocado como nomes, Um e Dois? Eu sinceramente não sei e nem quero saber meu número. E nem o seu. Prefiro lhe chamar por seu nome. Curto ou longo, não importa. Porque sei que você não é um objeto. Mas uma pessoa. Assim ficarei menos tentado a jogar seu número na loteria. E se perder ainda ficar com raiva de você.

É prefiro mesmo, você, pessoa.

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior. Contatos, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Pagando Mico!

Ter, 08 de Maio de 2012 11:16

Quantas vezes você já não pagou o seu? E às vezes até porque foi induzido a ele. Como aquele atrapalhado locutor de rádio que em plenos anos noventa, anunciava solenemente a assinatura do acordo de paz para o fim da segunda guerra mundial.

E assim às vezes pagamos micos sem volta. Só porque na maioria das vezes não sabemos lidar com as nossas imperfeições e nos metemos a lidar com as dos outros. E também acabamos jogando pela janela aquilo de que gostamos, mas só vamos descobrir isso bem mais tarde, e também, muito tarde. É que por não saber lidar com a imperfeição dos outros não sabemos lidar também as nossas. E o mico está em que alguém pode passar perto da janela e recolher o que jogamos fora.

Lembrei que na maioria das vezes comparamos as imperfeições dos outros com um cheque sem data. Para ser cobrado depois. Nosso mico está em que o nosso também poderá no futuro, estar sem saldo suficiente. Mais um mico.

Quando discutimos as relações humanas, tentamos não entender os outros, mas sim a nós mesmos. Embora sejamos juízes dos outros. Não nossos. Isto, jamais!

E onde estaria o mico? Naquela célebre frase do macaco, “Eu só queria entender”!

Somos capazes de criticar as mulheres quando em uma festa umas falam das outras, julgam as roupas, cabelos, maquiagem, calçados, elegância. Tudo! E nós somos incapazes de descobrir que estamos nos julgando. Claro porque sem pensar em assumir, estamos comparando todos estes nossos quesitos.

E onde está o mico? Como nós. Sentados encima dos próprios rabos.

E puxando o dos outros!

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior.  Contatos, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Promessas e orações

Qua, 02 de Maio de 2012 12:02

Qualquer um de nós quando se sente pressionado busca uma saída. Tem alguns e a grande maioria não confessa, faz promessas e orações esperando que apareçam as soluções.

O mais incrível, entretanto é que alcançada a graça ou realizado o desejo, a promessa é esquecida.

Tanto que dizem as más línguas que alguns devem uma vela para cada santo.

E também não incomum se saber que as pessoas voltam a cair na mesma enrascada que acabaram de sair quem sabe até com a ajuda de algum santo.

E aí... Bom, brigam e reclamam com o santo.

Mas esqueceram de pagar a promessa e deixaram que mais uma vela caísse na relação de suas dívidas.

Os mais crentes garantem que se a gente fizer uma promessa e não pagá-la depois, deixa o santo zangado e este volta a colocar a pedra no caminho do devedor. Até que pague a promessa. Mas o problema é depois lembrar o que foi que prometeu! E que não adianta rezar prá ele de novo não, até pagar a promessa que deve. Pelo jeito podemos descobrir que o SPC dos santos, funciona muito mais que os da terra.

Existem ainda aqueles que colocam todos seus problemas nas mãos de Deus. Ele que decida o que achar melhor.

Mas coitado Dele! Com tanta gente deixando seus problemas em suas mãos, dizem que às vezes se passa no atender alguém. Mas também, convenhamos não? Tudo Ele! Tudo Ele! Tem também aquela história de que os santos passam a Ele as relações de dívidas dos maus pagadores.

E pelo jeito, aí então, sem solução.

Talvez seja por isso que os políticos jamais fazem suas promessas aos santos, mas só a nós. E nós também a eles, mas mudamos de ideia na hora de votar. E assim, podemos dever uma vela em cada esquina, que não dá nada. Aliás, esta dívida nem são eles que se esquecem de pagar, mas nós que deixamos de cobrar.

Qual a conclusão?  Melhor ficarmos devendo entre nós mesmos! Porque dever para os santos... Pode dar problema, sim! E como diria o outro.

Não há reza que cure!

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior.  Contatos, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Garçom! Bota mais uma aí!

Ter, 24 de Abril de 2012 12:59

E que seja da boa!

Da melhor que tiver!

E pura! Sem limão, açúcar ou gelo.

Daquela que desce queimando a garganta, ardendo o peito e aquecendo a alma.

Que seja daquelas tão boas que não tenha a mínima vontade de dividir com ninguém.

Tem algumas que a gente tem que beber sozinho, devagarzinho, sentindo seu gosto e aproveitando todo prazer que pode dar.

Nem se derrama aquele pouquinho na beira do balcão para o santo do dia.

Hoje, agora, é dessa que eu quero!

Pura, límpida, clarinha, da cor da alegria.

Daquelas que deixam a gente sempre querendo mais.

Até cair completamente embriagado.

E meu amigo garçom, não demore!

Ponha logo porque não quero tomar de um talagasso só.

Quero gastar todo tempo que puder aproveitando seu gosto na língua, na boca, nos lábios.

E pode ter certeza de que não vou fazer cara feia na hora de golear.

Se prestar bem a atenção, verá o sorriso de paz e felicidade que vai brotar.

Posso até ficar com os olhos cheios d’água. Mas jamais vou reclamar. Ô garçom! Tá demorando meu!

E não adianta achar ruim eu reclamar.

Não vou tirar o cotovelo do seu balcão enquanto não me servir.

Pode apostar que vou ser o freguês mais chato que possa imaginar.

Poxa, Seu Garçom do Céu!

Eu só quero aquela minha dose de felicidade!  

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